
é novamente altura...
fechei os olhos, sinto os meus músculos a endurecerem...
começo a ouvir o som e musica me envolve...
sinto a tinta a envolver o meu corpo...
as tatuagens...envolvem-me... braços, peito e pescoço,
desenhos, nomes, historias, lágrimas, dores e sorrisos... bem, não sorrisos
as minhas garras cresceram,sinto o cabelo a crescer...
ao abrir os olhos novamente, estão raiados do sangue...
a minha sombra invade as paredes como uma onda contra as rochas...
são tantos a dizerem és assim, e tantas a dizerem porque és assim...
um gémeo bom... um gémeo mau...
um carinhoso, sensível, doce... o outro frio, negro, mau...
deixei o meu bom gémeo tomar conta de mim... deixei-me levar... troncos, estrelas, sorrisos, copos, sons, cheiros, marcas... all gone away... or not... but let it go
deixei o meu gémeo mau adormecido... mas, eu sou esse gémeo mau... eu sou a loucura, a dor e frieza... o meu gémeo bom apenas me baixa a guarda, quando me perco em olhos, em sorrisos, em lábios...quando me perco em sentimentos... toda a sua força vem daí...
mas um olhar, um toque, um palavra, uma dentada... algo acordou aquilo que normalmente sou...
por isso transformado, pego na minha bebida, sobre o meu pêlo visto o meu casaco, coloco os meus óculos para cobrir os meus olhos ensanguentados... deixo o mundo tremer, sofrer, enojar-se com lobo que largou a pele de cordeiro, e neste momento apenas tem desejo...
1 comentário:
The Dark Side of the Moon
Todos temos um lado negro, muitos de nós tal como a lua temos até vários lados.
Uns mais à flor da pele e outros mais interiorizados, mas todos temos o nosso lado animal. Na verdade, é o que somos, racionais mas animais.
A essência humana é por si só obscura, alguns de nós tem consciência disso e assumem-no,
Outros escondem, outros ignoram.
Quando o instinto animal aprisionado salta há uma espécie de libertação, a adrenalina corre-nos nas veias, o sangue aquece e achamos capazes de tudo, enfrentar o mundo e ultrapassar todas as barreiras. Dar azo aos desejos mais recônditos e fazer tudo aquilo a que nos reprimimos quando a razão e as convenções tomam conta de nós e nos toldam os pensamentos, as emoções, as acções.
Liberdade, é a essência a funcionar.
A dicotomia bem vs mal é outra das características do ser humano, não há perfeições.
Como pantera, de pelagem negra, olhos vivos, instinto aguçado sempre em alerta, preparada para a qualquer instante atacar em defesa da própria sobrevivência. Misturada com a multidão, passo despercebida, suave e confiante calcorreio os caminhos das minhas emoções, liberta dos grilhões que aprisionam a minha alma, respiro liberdade. Esgueiro-me por entre seres que correm numa azáfama diária, e constantemente em alerta mostro as minhas garras e exponho os meus dentes de felino para marcar território. Deambulo pela selva urbana absorvendo odores, imagens, texturas.
Recolho as minhas garras e volto à condição de ser racional, civilizado e condizente com as normas instituídas.
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