domingo, 22 de fevereiro de 2009

from morning to the night

muitas vezes nas palavras de outros encontramos aquelas que queremos dizer.
sendo assim, cito:

"O amor, dizes-me

Escuto o silêncio das palavras. O seu silêncio suspenso dos gestos com que elas desenham cada objecto, cada pessoa, ou as próprias ideias que delas dependem. Por vezes, porém, as palavras são o seu próprio silêncio. Nascem de uma espera, de um instante de atenção, da súbita fixidez dos olhos amados, como se também houvesse coisas que não precisam de palavras para existir. É o caso deste sentimento que nasce entre um e outro ser, que apenas se advinha enquanto todos falam, em volta, e que de súbito se confessa, traduzindo em breves palavras as sua silenciosa verdade."






"Um pedaço de céu

Tu, a que eu amo nesta manhã que trouxe a tua imagem com os ruídos da rua, vai até à janela, levanta as persianas do quarto, e olha o céu como se ele fosse um espelho. Diz-me, então, o que vês? A nuvens que passam pelos teus olhos? Um azul cuja sombra te desenha o contorno das pálpebras? A mancha rosa do nascente que o horizonte roubou ao teu rosto? Mas não te demores. Um espelho não se pode olhar muito tempo; e o céu da manhã é dos que mudam com as variações da alma. Pode ser que o céu roube um sorriso aos teus lábios: e mo traga, para que eu o ponha neste poema, onde te vejo, um instante, enquanto a manhã não acaba."

"Até ao fim

Mas é assim o poema: construído devagar, palavra a palavra, e mesmo verso a verso, até ao fim. O que não sei é como acaba-lo; ou, até, se o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda: puxo o teu corpo para o meio dele, deito-o na cama da estrofe, dispo-o de frases e de adjectivos até te ver, tu, o mais nu dos pronomes. Ficamos assim. Para trás, palavras e versos, e tudo o que não é preciso dizer: eu e tu, chamando o amor para que o poema acabe."

Terminando as citações com algo original:

E agora que me deito
depois de tuas boas noites ouvir,
e tuas palavras ler...apago a luz
vejo as sombras tomarem conta das paredes...
Sombras negara que por muito tempo me embalaram,
me envolveram e até protegeram...
e agora acendo um fósforo, e vejo as sombras...
já não são medos ou loucuras...
são teus olhos profundos
teu sorriso doloroso
teus corpo esculpido...
e o vento na janela são teus doces lábios
dizendo: dorme bem meu lobo, dorme e vive nos sonhos,
pois amanhã terás de acordar e enfrentar o frio...
enfrentar a realidade dos meus olhos...

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