são 3 da manhã...
estou perdido numa qualquer praia
sentado na areia...
sinto o vento frio a chicotear-me o rosto...
o cheiro do mar misturado com o cheiro do "eucalipto"
toldam-me os sentidos e cegam-me mais do que já estou...
é noite...
Sinto a roupa molhada, pois a agua já engoliu as minhas pernas...
estou sozinho... e o frio aumenta...
ao olhar o mar, vejo um tronco a flutuar...
será este o tronco que me vai impedir de me afogar?
ao olhar o negro ceu, vejo um brilho por tras das nuvens...
será esta a estrela que me vai segurar, impedindo-me de me estatelar?
tantos troncos já agarrei, e a estrelas me segurei...
mas como saber qual agarrar?
deixamos os troncos seguirem e as estrelas se esconderem...
perdemos hipoteses de viver...
da mesma forma que não me agarrei para me salvar, diz-me...
porque não te agarraste para sobreviver?
estive aqui, mergulhei na tua frente e viste-me passar,
estendi-te a mão e seguraste... mas não acreditaste, ou então eu não era o tronco desejado...
deixei o mar engulir-me mais um pouco...
parece que cheguei a um beco sem saida,
e agora debaixo da agua que tudo esconde procuro...
procuro o porquê do silencio do mar,
o porquê o medo no olhar,
o porquê de que um simples tocar de dedos faz com teu rosto
se feche como se algo mau fosse acontecer...
levantei a cabeça de dentro de agua...e ali estavas...
perdida? inalcançavel?
quem és tu?
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
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1 comentário:
Tantos troncos, tantas estrelas... és uma pessoa rica então!
Tantas pessoas passam as suas vidas à busca dos seus troncos e das suas estrelas e acabam os seus dias tristemente sozinhas, morrendo da sua solidão!
Como saber qual agarrar?
Na altura tu sabes, melhor, tu sentes, sabes sempre, sem falha...
Se estás na dúvida, se alguns passam ao teu lado, se não lhes pegas ou se só lhes tocas e deixas que sigam caminho... é porque não eram para ti ou talvez o momento não seja aquele, podem voltar a aparecer na tua vida numa altura mais conveniente... quem sabe?
As coisas acontecem como têm de acontecer...
Fazes o que achas que é certo em cada momento ou podes simplesmente fechar os olhos e nem sequer pensar no momento... deixar apenas fluir...
Mas mais cedo ou mais tarde vais abrir os olhos e vais ter de olhar para a realidade à tua frente e vais ter de escolher, continuar com eles fechados, manter aquele caminho ou escolher um novo...
Questionas-te sobre os porquês de coisas complexas demais... existem muitas coisas que não entendemos, que estão para além da nossa compreensão...
Talvez o medo que viste não fosse medo, talvez seja outra coisa bem diferente, talvez a pessoa que vês ande a boiar, à deriva, levada pelas ondas e por isso quando olhas para ela não saibas interpretar...
Porque o medo, não é medo... é cansaço, desilusão, desamparo...
Talvez nem tenhas reparado que ela estava em cima de uma pequena, bem pequena plataforma de madeira que a mantinha a flutuar...
Se não fosse isso... nem terias conseguido olhar para ela porque já teria afundado e andaria pelas profundezas do oceano... irreconhecivel...
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