quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

a cry of release

Em tempos um amigo, colega, poeta , companheiro, palhaço desta luta dificil que é a vida, apresentou-me um desafio na minha perspectiva de poeta... escrever uma carta para ser publicada num livro...
Atendi ao seu pedido... e posteriormente vi sua carta, diferenças abismais, pois ambos declamamos a tantas luzes em comum, mas eu escrevo com o coração na boca na força da minha impulsividade, e ele escreve com o coração em sua mente, sempre meditando...

Por isso sem imagens ou adereços, deixo apenas palavras:

"Por muito tempo caminhei na mais negra das noites, escondi-me do sol e da luz como se de um vampiro me tratasse…. mas como vampiro não sou, e nem só de pão vive o homem, tive também de caminhar sob o sol quente da vida.

Nos meus caminhos encontrei Anas, Joanas, Paulas e Margaridas, encontrei tantas pessoas que seria o mesmo que se tivesse caminhado sozinho. Milhões de rostos como o meu, pessoas que se cruzam sem se conhecerem, sem se olharem… até que, num toque de ombros vi o teu olhar…
E o teu olhar na minha retina ficou… tive de te descobrir.
Mundos e fundos movi até que a ti cheguei…e me apresentei…
Teu nome ainda hoje guardo

Num almoço travamos a nossa primeira conversa, e tudo o que falamos trasnformou o meu desejo em paixão…
Ver o modo despreocupado com que enfrentavas o dia-a-dia, e as sensações limite que colocavas em tudo o que fazias, fez-me temer mas sem nunca desistir.
Todos os dias te via quando passavas por mim, e todos os dias te via, escondido nas sombras, sentado a teu lado escondido entre teus cabelos, sobre o teu ombro.

Como nunca soube falar, escrevi para ti…e assim te fui conhecendo.

Conheci a tua energia, a tua confiança, a tua personalidade que me viciou como se de uma droga se tratasse, que absorve e apaixona. Sentimentos inebriantes que provocavas em quem te conhecia, que toldavam a razão e nos levavam a cometerem actos irreflectidos que na altura pareciam e sabiam tão bem.

Senti a tua provocação, a tua resposta, sabia sempre quando no elevador estiveste pois teu cheiro já conhecia… paixão passou a amor (como cego somos quando o coração toma poder sobre a razão)
Era hora de algo decidir… por isso levei-te no meu tapete voador pelas areias do deserto esperando que um banho de luar te fizesse por mim também apaixonar….

E nessa noite estrelada emoldurada pelo som e cheiro do mar fomos um…

Amor, paixão, dedicação, respeito…cegueira…
Ceguei para ti e por ti, dei-te tudo, deixei-te penetrar na minha vida e puxas-te o tapete e no chão fiquei, sem apoio e magoado. Por que não acreditaste?

Irritas-me e encantas-me, magoas-me e preocupas-te, esqueço-te e lembras-te de mim...
Não consegues atingir o meio termo..?

Continuo a ver-te, a amar-te e a desejar-te… nunca sabes onde estou, mas sabes sempre onde estarei.

Vagueio sem rumo numa noite escura, a luz do sol que tive guardei num baú junto com o teu cheiro, sorriso e olhos…
Agora quando te vejo baixo os olhos, e tremo com o medo de apenas “olá” ouvir…. Hoje leio as tuas palavras sempre com um aperto no coração, amo-te sem te o saber dizer, procuro-te sem nunca te encontrar… choro sem deixar as lágrimas escorrer, e quando a saudade aperta, tento adormecer e esperar que tudo um sonho não tenha deixado de ser..."

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