
Há uns anos atrás, uma amiga minha (alguem que conheceu o meu lado sensivel), ofereceu-me um livro de poesias "Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade".
Hoje ao folhear as suas paginas deparei-me com um poema que realça em parte algo que já fui no passado e que no passado me fez penar com dor:
"A tua morte, que me importa,
se o meu desejo não morreu?
Sonho contigo, virgem morta,
e assim consigo (mas que importa?)
possuir em sonho quem morreu.
Sonho contigo em sobressalto,
não vás fugir-me, como outrora.
E em cada encontro a que não falto
inda me turbo e sobressalto
à tua minima demora.
Onde estiveste? Onde? Com quem?
- Acordo, lívido, em furor.
Súbito, sei: com mais ninguem,
ó meu amor!, com mais ninguem
repartirás o teu amor.
E se adormeço novamente
vou, tão feliz!, sem azedume
- agradecer-te, suavemente,
a tua morte que consente
tranquilidade ao meu ciúme."
("Elegia ao Ciume" - David Mourão-Ferreira)
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