peões que utilizamos, comemos e descartamos, usamos para satisfação e derrubamos impunemente
torres que vemos ao longe, impávidas e serenas a quem nos tentamos agarrar para termos algum apoio
bispos a quem pedimos conselhos, na esperança da ajuda para a escolha certa
cavalos que tudo correm, que tudo alcançam fazendo parecer que tudo é tão facil...
e nós, o Rei... o Rei que em todas as direcções se pode mexer, um passo de cada vez... tão longe vê a Rainha que tanto almeja e deseja tocar...
todas as peças vão saindo do tabuleiro, e sozinhos como sempre ficamos, deixamos cair a nossa espada assumindo mais uma derrota...
de novo as peças se agrupam... de novo todo o sofrimento é percorrido...
3 comentários:
Sabes qual é o truque? é pores a rainha a jogar por ti... o rei só faz roque e xeque-mate!
Abraço
A vida, tal como exposto, é de facto um jogo onde as diversas peças se movimentam ao sabor de uma imensa sede de vitória que, tantas vezes, não olha a meios para atingir os fins. Há peões gratuitamente sacrificados, bispos estrategicamente eliminados, cavalos de corrida que se cansam, torres que bloqueiam os sonhos mais simples... e um Rei, esse corpo fingindo uma constante vontade, a máscara de um outro lado do que somos escondendo atrás de si o olhar das nossas mãos que manipulam por cima do tabuleiro todas estas peças onde a vida se desenrola.
E a Raínha... essa mais não é do que a nossa utópica felicidade que nunca alcançaremos. Valerá a pena jogar este jogo desta forma desenfreada?...
Quando as peças se arrumam e o jogo descansa, todo o sofrimento se encerra num sono profundo e silencioso... quase se esquece!!... Mas depois, quando a caixa de novo se abre e o jogo recomeça, apenas o olhar altivo para lá do tabuleiro recorda as vitórias e as dores do passado, e prepara a estratégia de uma doce vingança. As peças, essas, já esqueceram os caminhos; é como se tudo fosse uma perpétua primeira vez. E o Rei, mesmo sofrendo, lança de novo o seu corpo à batalha.
Vida triste... estas horas de amargura de quem faz da vida um jogo assim, e não veste de uma nobre consciência essa sua alma ferida.
Não te podes esquecer de uma coisa, é que neste jogo em particular, os adversários partem em pé de igualdade, o número de peças é o mesmo (quer sejam brancas ou pretas), tal como o tabuleiro onde travam essa “batalha” e jogam segundo as mesmas regras. O que os distingue é a capacidade de enfrentar desafios, ultrapassar obstáculos e “lutar” até ao xeque-mate…e mesmo que não saia vitorioso dessa “batalha”, tem que ter a capacidade de se erguer de novo, recuperar a força necessária e travar outra batalha, disposto a ganhar, porque a “guerra” ainda não acabou…
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