
um passo em falso pode ser a morte do artista
um toque mal entendido pode ser o inicio de um desentendimento
uma palavra não entendida pode ser o fim de algo belo...
medos... receios...
porquê da sua existência?
todos temos medos... medo de nos magoarmos fisicamente, medo de perdermos alguém, medo de chorar e as vezes até de sorrir... medo de ouvir certas palavras ou até uma em concreto...
medo de nos magoarmos e de magoarmos alguém...
mas, existirá razão para tantos medos?
não será isto apenas medo de viver?
porque não devemos arriscar e dar aquele passo que tanto tememos? porquê não tocar alguém que desejamos? porque não dizer as palavras, que escondemos em nosso olhar, a quem temos vontade de dizer? porquê simplesmente não chegar e dizer "és importante para mim, eu gosto de ti"
todos temos medos... mas, se já começamos a dar o passo, se já começamos a tocar, se já dissemos de alguma forma metade das palavras que desejamos dizer... porquê não arriscar? porquê esconder-mo-nos nos silêncios, no medo de dar um passo ou o passo... no medo de dizer "vem, eu estou aqui"
Apenas viver... sem pensar se amanhã fará sol ou chuva, sem pensar se vou dormir bem ou se a cabeça vai estar cheia de pensamentos...
porque não falar? porque não estar? porquê simplesmente saborear os objectos que nos fazem recordar algo que, de uma forma ou de outra, queremos ter, sentir, viver...
palavras são ditas, palavras são escritas, palavras são sentidas... palavras são esquecidas e perdidas...
parece às vezes que até o próprio tempo nos impede de viver e nos cria barreiras... o vento vem e leva o fruto da nossa árvore e o mar engole a areia da nossa praia...
medos... receios...
Porquê temer?
porque não simplesmente olhar, tocar, falar, abraçar, beijar... fechar os olhos e deixar que o que existe de bom possa continuar...
1 comentário:
De vez em quando, encontramos alguém no nosso caminho que faz tudo valer a pena. Os dias não parecem imperfeitos, as noites não são escuras, os sonhos comandam a vida. De vez em quando, conseguimos pequenos momentos de uma pura felicidade onde nada mais existe senão esse alguém.
Onde está então o medo que nos impede de voar?!...
Nenhum barco partiu para uma viagem sem ter provisionado o que precisava para uma longa ausência. E no meu entender, arriscar pequenos momentos com alguém assim, é quase a mesma coisa: se quando estamos atracados ao cais e protegidos das tempestades, não formos capazes de salvaguardar o que é importante, iremos deixar que o alto mar da realidade nos consuma por inteiro o que de bom esse alguém nos trouxe.
E sabemos que temos medo, por que seguramente já passámos por isso. E voltamos sempre a tentar não passar pelo mesmo, não por não sabermos aprender, mas por que nos inventamos a nós próprios na capacidade de amar um novo alguém, e onde nenhum gesto ou nenhuma palavra deve ser repetida.
De vez em quando, encontramos alguém no nosso caminho com quem desejamos partilhar a nossa vida, nem que seja por breves instantes roubados a essa realidade. E vale a pena ser-se assim ladrão por alguém...
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